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Iniciativa pública sobre Novo Aeroporto de Lisboa

2009/06/23
A Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) promoveu, no dia 23 de Junho de 2009, no Auditório Fernando Lopes Graça, na Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça, na Moita, uma iniciativa pública de debate sobre o Novo Aeroporto de Lisboa que contou com a participação de cerca de uma centena de convidados.

Nesta iniciativa pública, onde marcaram presença os Presidentes dos Municípios da Região de Setúbal e dos Municípios abrangidos pelas medidas preventivas do Novo Aeroporto de Lisboa, teve lugar uma sessão de reflexão e de debate onde, para além das intervenções do Presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas, José Figueira, e do Presidente da Câmara Municipal de Alcochete, Luís Franco, assistiu-se, ainda, a uma apresentação sobre o actual estado do processo de desenvolvimento do Plano Director do Aeroporto, efectuada pelo Director Técnico da NAER, SA, Eng. Júlio Castro Silva. 

Na Sessão de Encerramento desta iniciativa, após o debate realizado, o Presidente do Conselho Directivo da AMRS, Alfredo Monteiro, salientando a importância da realização de iniciativas desta natureza, envolvendo os Municípios, os agentes de desenvolvimento regional e os cidadãos, e agradecendo a participação e a variedade e qualidade das intervenções, sublinhou um conjunto de aspectos centrais deste debate que assumem a forma de Declaração Final da iniciativa:
 
- A reafirmação de que um projecto como o Novo Aeroporto de Lisboa deve servir, em primeiro lugar, o interesse nacional, entendendo-se que deve ser garantido o carácter público da construção e exploração das infra-estruturas aeroportuárias, devendo ser privilegiada a incorporação de produção nacional em ambas as fases, sublinhando a importância e o papel das empresas públicas TAP e ANA.

- A consideração de que o interesse nacional é totalmente compatível com os interesses regionais, pelo que se verifica a necessidade de articular os investimentos nacionais, como o Novo Aeroporto, com os projectos regionais de desenvolvimento, nomeadamente, no que se refere ao incremento do tecido produtivo e criação de emprego com direitos, tendo em conta os Planos Estratégicos dos Municípios e, no caso da Região de Setúbal, o PEDEPES – Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Península de Setúbal, os Planos Directores e estratégicos e os Planos Regionais de Ordenamento do Território.

- O entendimento de que os serviços associados ao Aeroporto podem e devem servir de factores de dinamização do tecido económico regional;

- A necessidade de garantir que a rede de acessibilidades e transportes do Aeroporto seja concretizada em articulação com as redes locais, regionais e nacionais no quadro dos investimentos a realizar;

- A afirmação da indisponibilidade dos Municípios abdicarem das suas competências, nomeadamente, em matéria de ordenamento do território, lembrando que os primeiros instrumentos de planeamento e ordenamento do território foram os Planos Directores Municipais, só depois surgindo os Planos Regionais de Ordenamento do Território e, mais recentemente, o Plano Nacional de Ordenamento do Território;

- A consideração de que as medidas preventivas aplicáveis à «zona 10 exterior às zonas 1 a 9», entre os quilómetros 18 a 25 são manifestamente excessivas face ao que visam salvaguardar, justificando-se a sua revisão no sentido de garantir que não constituem constrangimentos ao desenvolvimento económico e social da Região envolvente do Aeroporto, sendo fundamental assegurar que não se prolonguem para além da aprovação do Programa Regional de Ordenamento do Território (PROT).
 
 - A necessidade da efectiva participação dos Municípios e dos agentes regionais de desenvolvimento nos processos de alteração dos PROT, ainda em curso, garantindo um modelo sustentável de desenvolvimento metropolitano, Margem Sul e Alentejo.

- A proposta de criação de uma Comissão Consultiva de Acompanhamento que permita aos Municípios e aos agentes regionais participar no processo de concretização do projecto do Novo Aeroporto de Lisboa, contribuindo para potenciar as consequências positivas de um investimento desta dimensão, fundamental para a competitividade do País, da Área Metropolitana de Lisboa e da Margem Sul.