O GUIA FORA DE PORTAS

DA REGIÃO DE SETÚBAL


Corpo Pequenino, Olhos de Gigante

12 Jun 2022
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Corpo pequenino 1 447 298
Espetáculo por Teatro Estúdio Fontenova (Setúbal).


Classificação etária: M/ 3 anos.
Duração: 40 minutos.


* As reservas de bilhetes devem ser efetuadas de segunda a sexta-feira, das
10 às 13 e das 15 às 18 horas.


Organização
Animateatro Companhia de Teatro.
 


Sinopse

Numa noite de luar, ia pela serra um menino sozinho (ou seria uma menina?)
de olhos bem abertos, sem sono para se deitar. Sem sono para se deitar,
porque tinha tanto para pensar. Ia a pensar e a sentir tantas coisas quando
lhe apareceu um gigante. Sim, um gigante! E ainda por cima queria roubar-lhe
os olhos.

Já alguma vez te quiseram roubar os olhos?! É que dizem que sou eu o
menino d’olhos de gigante; e eu juro, pela minha boa sorte, que não sou
só eu!
 


 

Sobre 

A obra pictórica e literária de José de Almada Negreiros, nome
fundamental do modernismo português, desenha o pano de fundo da criação
Corpo Pequenino, Olhos de Gigante, projeto para a infância e juventude, que
se estreou em janeiro de 2022. Artista multidisciplinar, Almada Negreiros
empenhou-se ao longo do seu percurso artístico numa diversidade de áreas e
meios de expressão – desenho, pintura, ensaio, romance, poesia,
tapeçaria, gravura, pintura mural, caricatura, mosaico, azulejo, vitral,
cenografia e dança. Sem se fixar num domínio único e preciso, o que emerge
do seu percurso é, sobretudo, a imagem do artista total, inclassificável,
onde o todo supera a soma das partes. É sabido que, para Almada, os seus
olhos por serem grandes passaram a constituir um traço fisionómico muito
pessoal que o poeta (e sobretudo o artista plástico) largamente incorpora na
visão de si mesmo.

Desta forma, em 1921, escreveria O Menino d’Olhos de Gigante, um
poema-imagem, quase fantástico, no qual nos é contado o confronto de um
grande gigante que habita a serra, com um menino que por ela passeia inquieto
durante a noite e lhe tenta roubar os seus grandes olhos: «Bem sei que eu
sou menino / também que valho bastante / no meu corpo pequenino / pôs Deus
olhos de gigante».

Almada Negreiros constrói assim um discurso poético para falar sobre a
importância dos olhos e do olhar, sobre os poderes e as hierarquias, a
singularidade e a criatividade, o valor do corpo na infância vs o corpo
adulto. É nesta linha de pensamento que Corpo Pequenino, Olhos de Gigante se
constrói enquanto espetáculo e enquanto processo, olhando para a criação
artística e para o seu processo, para a perspetiva de um artista provocador
e de vanguarda, experimentando diferentes possibilidades de participação do
público com o objeto artístico. O processo tem-se focado numa aproximação
real e concreta entre a equipa de criação e três grupos de crianças, de
três faixas etárias diferentes. Com cada grupo têm sido implementadas um
conjunto de ações que resulta em materiais de estudo para a construção do
espetáculo, em torno de questões de escala, autoridade, hierarquia,
perspetivas e memórias. Os três intérpretes do espetáculo corporalizam o
triângulo de criação teatro/artes visuais/comunicação-mediação. Rosa
Dias que, além do sólido percurso como atriz, tem experiência na área da
educação de crianças e jovens, tendo-se dedicado recentemente à área
musical. Ricardo Guerreiro Campos, artista visual, performer e educador, tem
investigado o corpo e as memórias de infância como potencial de ativação
de um estado de ateliê. Patrícia Paixão desenvolveu formação académica
na área da comunicação e estudos culturais, sendo que o seu percurso tem,
desde o início, cruzado áreas como as artes, equidade e educação, tendo
desenvolvido interesse entre o corpo e a sustentabilidade.

 

Ficha técnica e artística

A partir de: O Menino d’Olhos de Gigante, de Almada Negreiros | Criação
e interpretação: Patrícia Paixão, Ricardo Guerreiro Campos, Rosa Dias |
Coordenação de projeto, cenografia e figurinos: Ricardo Guerreiro Campos |
Dramaturgia: Patrícia Paixão | Música original: Rosa Dias | Desenho de
luz: José Maria Dias | Execução de figurinos: Gertrudes Félix |
Consultoria artística e pedagógica: Ana Lopes-Mesquita, Fátima Medeiros,
Iolanda Rodrigues, Maria Luiz, Simão Palmeirim Costa | Residência
artístico-pedagógica: Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi, Escola
Básica n.º 5 do Peixe Frito, Escola Tom da Terra | Design de
comunicação, imagem e fotografia: Tomás Anjos Barão | Produção:
Graziela Dias e Tomás Anjos Barão | Agradecimento: João Mota.
Equipamento:
Cinema S. Vicente

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